“Tem umas coisas que a gente vai deixando de ser e nem percebe. —
Caio Fernando Abreu (via
so-a-dois)
“Faz de conta que o céu tá bonito, que a saudade é pequena e que a fé é muita. Faz de conta que a dor foi-se embora. Faz de conta que ama e que é amada. Faz de conta que nada mais sangra, que o sonho não acabou e que o riso é constante. Faz de conta que num piscar de olho a gente constrói o que a gente quiser. Faz de conta que o amor é tanto que corre das veias e chega a sobrar. Faz de conta que a inocência ainda existe e tá pertinho da gente. Faz de conta que as pessoas que a gente gosta apareçam em sonho. Faz de conta que o fio da vida é longo e que nele cabe a eternidade. Faz de conta que as cantigas ocupam o lugar do choro. Faz de conta que a gente consegue desatar os nós de marinheiro que a vida dá. Faz de conta que não é preciso inventar. — (via
canto-doce)
“Eu sei que não sei fazer cafuné direito, eu sei que tô sempre com o cabelo desarrumado, só atraio confusão e não costumo escolher as melhores roupas. Eu sei que as vezes eu erro, tenho minhas crises existenciais e aquele medo exagerado de perder. Eu sei que de vez em quando eu colo em você, que quando brigo sou criança. Eu sei que minhas piadas não são lá tão engraçadas, que meu humor não é sempre dos melhores e que meu jeito é todo desajeitado. Eu sei que sou torto, do avesso e as vezes idiota pra caralho. Mas por favor, não desiste de mim não. A gente combina, pode acreditar. Vai dar certo. Tem de ter, pelo menos, um motivo pros meus dedos encaixarem tanto nos teus. Agora, pelo menos dessa vez, eu vou fazer com que dê tudo certo. Confia em mim. Mas por favor, não desiste desse meu jeito desajeitado de ser. —
Pedro Rocha (via
desentorte-me)
“- O que você pensa sobre o amor?
- Penso que é bom.
- E sobre amar?
- Há controvérsias. —
Rafael Baa (via
chorarporamor)
“Eu só espero que a gente não caia em nenhum desses mares de frieza pelo meio do caminho, meu amor, não de vez… penso que talvez esse pudesse ser nosso fim. O início dos créditos finais sempre foram apavorantes pra mim, principalmente se marcassem o fim de um filme nosso, nosso fim. Eu só espero e peço aos céus que te guardar dentro do meu baú velho não seja mal negócio. Sei que parece ridículo dizer que te guardo numa caixa, mas acredite, tudo que há de mais insano e desejado por mim está lá. Não me pergunte o porquê ou como faço isso, porque não saberei lhe responder, confesso, mas tenho uma certa mania engraçada de guardar alguns sentimentos. Acho que sinto necessidade de deixar a pessoa guardada numa caixa pra eu poder colocar debaixo do braço e levar pra tudo quanto é lado. Creio que isso possa ser medo também, por vezes já achei que se eu guardasse dentro do coração, ou em algum outro lugar, como todo mundo, eu perderia de vista. Eu tenho umas particularidades meio idiotas e fico besta quando alguém entende alguma delas. Quer dizer, não sei se fico besta, na verdade ninguém nunca entendeu nadinha, mas se um dia entendessem… eu vestiria a cara mais abestada possível. Eu já tentei explicar alguma delas mas me embolei, gaguejei e além de não ter convencido ninguém com a minha tese, eu não entendi absolutamente nada do que eu quis dizer. Até porque, até hoje nem eu consegui decifrar direito o que significam, só sei por alto que não sinto necessidade de viver tal coisa, mas sinto necessidade de senti-la, e como tenho! Mas não é isso que me deixa intrigado, o que eu acho esquisito é que fico meio desesperado quando o mesmo esfria, ao mesmo tempo que não sei o que fazer acabo fazendo mil idiotices pra resgatar aquilo tudo. Digamos que pra ficar na tal caixinha, só vale se estiver quente, o clima de lá deve ser de deserto, tudo que é frio deve derreter, evaporar. Acho que deve ser por isso que me saio tão estranho aos olhos das outras pessoas, olha que maluquice! Olha que amor mais doente o meu! Aumenta, eu juro que aumenta, e não para não… mas esfria… e eu só peço a Deus ou ao responsável por isso, que não nos deixe cair em qualquer mar de frieza no meio do caminho… só de pensar já sinto calafrios… e, bom, você conhece todo meu comodismo. —
João Amaral (via
desentorte-me)
“E dizia como se fosse dona do próprio nariz. Olhe, menina, não sei se lhe contaram, mas ninguém precisa levantar a mão para receber amor, nem precisa esvaziar o copo para chorar mais um bocado. Você ama porque precisa, sofre porque aguenta, dança porque pode, ri porque prefere, morre porque acredita, fala porque esqueceu que, talvez, o levantar das pálpebras possa ser bem barulhento. Mas sentir, menina… A gente tem que sentir sem alarde. Chorar miúdo, deitar minguado, olhar-se em apuros e calar aquilo que grita na profundeza dos olhos que não sabem pestanejar sem derramar saudade. —
Neemias Melo (via
entrehorizontes)